domingo, 21 de fevereiro de 2010

Emancipação

O choro é libertador. Liberta a alma de tudo o que queremos deitar cá pra fora quando as palavras não o conseguem expressar. Libertam de tudo o que é mau, pelo menos por um pouco. A tristeza não se apaga com uma borracha. É persistente, teimosa, e fica sempre por perto a vigiar mesmo nos momentos mais felizes.

Hoje sinto-me no lodo. Não consigo bem dizer porquê. Muito tempo a pensar na minha vida, talvez. Quero dar um rumo diferente a esta porra desta vida, mas não consigo. Não por falta de vontade, mas por falta de recursos. Queria emancipar-me, mas sem receber o meu ordenado a tempo e horas, é impossível sequer pensar nisso. Quero sair deste buraco que já não chamo casa há muito. Quero sair de perto da presença abominável de uma besta que habita aqui há tempo demais. E que tem tempo a mais para implicar comigo. Quero sair do sítio onde me foi prometida protecção... E que já há muito não protege ninguém.

Tenho vergonha das pessoas que me rodeiam. Tenho vergonha de mim própria. Quando faço uma introspecção... Nem sei dizer que qualidades tenho. Não sei o que as pessoas vêem em mim. Sinto-me inútil. Sinto que não sei fazer nada, pelo menos nada de relevante.

No trabalho não tenho motivação. Ora porque me deitam abaixo com as conversas paralelas, ora porque sou mais "bruta" e levam a mal, ora porque... não tenho vontade de me levantar da cama de manhã. A desmotivação é muito grande. E os problemas dos outros são sempre gigantes, os meus são ninharias. Estou farta de estar nesta casa. Casa que, bem, é mais minha do que da besta, mas que eu não sinto como lar há muito.

Quero um canto só pra mim, um poiso "meu". Estou farta de ser perseguida. Já lá vai 1 mês e meio. E a minha mãe se não diz nada é porque concorda. Se a confronto, nada diz e abaixa a cabeça... Aprendeu a fazê-lo desde que está com este estupor e agora é assim sempre. Estou só. De uma forma que nunca pensei que chegasse a acontecer. Como me vêem rir, pensam que a minha vida é um mar de rosas. Que "está tudo bem". Não está. Atravessam na minha mente pensamentos que nunca tive. Maus. Muito maus. E dói... pensar que não se tem ninguém. Que está tudo consumido pelos seus próprios problemas. E quem diz que se preocupa comigo... Não sei... Duvido de tudo o que me é dito. Porque não acredito em ninguém.

Vou andar a ouvir bocas até ao fim dos tempos, sentir vergonha por actos de fulanos que nada me são. Anda por aí armado em Rambo, a mostrar pistolas, fazer ameaças e andar à porrada para quê? Para ser mais homem? Ou melhor, "homem"?

Confrontei-o na sexta, porque depois de ter chegado a casa do trabalho, vejo um recado no frigorífico que dizia de forma fantástica que cá em casa "não há escravos" e que "quem usa a cozinha tem que a limpar também". A minha primeira reacção foi rir. Fui para o quarto mas remoí no assunto. Quando voltei á cozinha pronta para armar escabeche, o cobarde já tinha tirado o recadinho do frigorífico. Quando lhe perguntei o que ele tinha contra mim disse que não tinha nada. Que estava a fazer tudo isto porque "a tua mãe agora é uma escrava e eu estou a ver que tu não a ajudas em nada". Bem... isto vindo de quem fica em casa o dia todo a pastar, de manhã fica a roncar até às tantas e de noite a arrotar, beber cerveja e ver televisão até de madrugada.... é obra. Até porque devo ser a pessoa que menos tempo passa em casa. Mas tudo bem... Só quero mais estabilidade. Próximo passo: sair de casa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Proteger

Proteger. Palavra bonita, certo? Bonita quando aplicada com coração e empenho. Porque quem me quer "proteger" e depois nada faz, é um abuso e uma estupidez. Sentia-me mais protegida na casa do meu pai. Levava porradinha que chegue, mas ao menos... Lá está... Sabia com o que contava. Aqui, há quem queira, possa e mande sem autoridade nenhuma. Uns filhos da puta que pensam em grande. E alguém que era suposto me proteger. Que no cúmulo me diz que a culpa é minha, porque eu "reagi". Lá está. Temos que saber ser submissos. É isto. Quem diz o que lhe apetece e esquece logo a seguir não vale nada. Ou melhor, temos todos que o seguir, como uma manada de cordeiros perdidos.

E dizerem "ah e tal, ele sempre gostou de ti"... Sim pois... Nestas alturas é que se vê. É que se nota. Com ESTE tipo de atitudes, é assim que se vê. É assim que se sente. Já foi tempo de dizerem que a culpa dos males do mundo era minha. Quem o fazia era a minha querida madrasta. Todo e qualquer problema familiar, desde os problemas grandes aos problemas corriqueiros com o meu pai, eram culpa minha. Todos. Grandes costas que eu tenho. Deve ter sido por isso que os meus ombros alargaram tanto. É do peso de todas as acusações que levei nestes anos.

"Ele sente que não o gramas". Pudera. Depois de o ver anos a fio a rebaixar a minha mãe e agora por último a envolver-me no barulho, deve querer festinhas.

Desaparecer. É o pensamento que me ocorre agora vezes sem conta. Não sei como, quando nem para onde (SE houver um onde). Mas sim... Desaparecer. Quando morava no meu pai e este pensamento se instalava, só me ocorria um sítio para onde ir: para a minha mãe. Neste momento esse pensamento é demasiado assustador. O pensamento de "desaparecer" reveste-se de nada. Não tenho para onde ir. É um negro muito profundo. E não, não sei o que é. A vontade de desaparecer cresce a cada dia que passa.

"Não o provoques". Foi o que mais fiz nestes anos. Fiz de conta que nunca se passou nada. Mas todos temos um limite. E não, não gosto dele. Não depois do que já vi e ouvi. Não depois de ver que ele não é nada daquilo que disse que era e daquilo que era no início (muito no início). Quem se sujeita a isso é porque quer. Mas lá está, como não estou junto da "manada", sou a persona non grata. Adoro esta expressão. A sério. Especialmente porque me define tão bem. Encaixa na perfeição na minha vida.

Durante tanto tempo fiquei feliz por nunca ter visto o meu pai maltratar a minha mãe. Neste momento preferia que assim fosse. Levo pancada dos dois lados. Sou SEMPRE o cerne da questão, mas sempre como um problema. Cortar os pulsos a esta hora ficava-me caro. As tatuagens saíram-me do bolso xD. Mas tenho vontade de desistir. Sou eu a culpada, certo? Desisto... Desapareço...

domingo, 24 de janeiro de 2010

I'm baaaaaaaaaaaaaaaack

Um "comeback" necessário, não pelas melhores razões. Preciso desabafar senão rebento. E escrever é uma terapia fantástica. Melhor que arrancar cabelos e mandar cabeçadas à parede, não?

Ando inspirada de novo para escrever e soltar a minha modesta veia literária xD. É quando andamos na merda que a poesia se liberta. Precisamos de estar mesmo mal para libertar o que de bom temos em nós.

A minha vida deu dois passos à frente e um atrás. Ao menos o saldo nisto tudo é positivo. Mas como é óbvio, isso não é o bastante para estar satisfeita.

Escrevo a esta hora proibitiva porque, bem, primeiro não tenho sono. Segundo.... apetece-me escrever. Por causa de um cão. Ou melhor, uma cadela. Deixo a bicha dormir um sonito de beleza no tapete do meu quarto até euzinha ir dormir. Estou descansadinha a jogar. Fazer o quê se o vício chama xD.

E vem um troglodita dar ordens aos berros, do fundo da sala, para que eu liberte a cadela "imediatamente". Uau! Alguém andou a ver filmes a mais !!!! Deve ter sido o filme da tarde, do assalto ao banco, que lhe deu tal brilhante ideia... É que naquele tom parecia que eu tinha a bichita refém, contra sua vontade, e que tinha o esquadrão de intervenção à porta, prontinho para a arrombar e resgatar a pobre coitada.

Mas o que é isto? Qualquer motivo basta para "bater" em mim? Eu já vi esta história, já... E não era muito boa. Tinha todos os ingredientes de um blockbuster de Hollywood. E o final até foi feliz. Mas claro, quando vem a sequela, a coisa muda de figura. Normalmente são horríveis. Foi o caso. Está a ser o caso. Como me dizem algures, cagaram-me um ganda cagalhão na boca. Mas um mesmo grande. O problema é aqui neste preciso momento é: porquê?

Que raio de mal fiz eu para ter um castigo destes? Já não chegou uma vez? Duas são demais. E eu, no espaço de um mês, já estou a levar demais na cabeça. Desaparecer era uma boa solução. Deixar tudo para trás. Assim como assim, está mais do que visto que aqui pouco ou nada importo. Sou a trouble maker do sítio. Sim, porque quem calou até agora e se fartou é o cristo. Sim, porque os outros quando me envolvem em problemas, temos todos que perdoar. Deus é grande e exige perdão... Pena que eu já tenha perdoado (melhor dizendo, esquecido é um termo melhor...) de tudo. Desde rebaixar a minha mãe à minha frente, ter-me afastado de todo e qualquer convívio "familiar", mentiras escabrosas de todas as espécies, acusações fúteis, etc, etc.

Para além disto, neste momento passo por maluca. Agressiva, rebelde. Devem pensar que voltei aos teens. Colem os autocolantes todos. Estão à vossa vontade. Já sei o que me espera. Os contornos nem sempre foram os mesmos, mas é isso mesmo que se trata: estar só. Tive uma puta a fazê-lo em relação ao meu pai. Tenho tudo contra mim agora. Uau. A minha felicidade é total. Estou tão contente que escrevo aos pinchitos...

É impressionante como se passa de bestial a besta. Esta besta conseguiu-o ao fim de muito pouco tempo. Ainda é bestial para alguns, mas para o resto do mundo é uma besta. Para mim, há pelo menos 7 anos. Quem quis fechar os olhos fui eu. A muita coisa. Desde o material que ia parar lá a casa, as fúrias desmedidas, a ver a minha mãe em lágrimas mais de metade do ano... Até daquela vez que não tive dinheiro para almoçar porque determinada pessoa.... perdão..... besta, fez um escândalo com a minha mãe acerca de dinheiro, depois de ler e apagar a mensagem que mandei para o telemóvel dela.

Engraçado... ao menos isso o meu pai nunca fez. E tendo em conta a situação difícil que estou a passar agora em termos laborais, quem me estendia a mão sem pedir era ele de certeza. Tive de ser eu a dizer que não era preciso para ele se convencer e mesmo assim, se me cruzo com ele é capaz de me dar uma nota..... Deste lado só começam a falar comigo para ficarem de consciência tranquila para poderem dormir à noite. Outros, como os que vivem no sofá, é só para parecer bem. Para fingirem que estão interessados. Porque eu sou a maluca sem razão nenhuma, porque a mim nunca me fizeram mal nenhum e gostam muito de mim. Até se emocionam todos porque pronto, como sou maluquinha e ando agressiva, sentem-se muito mal. Tão mal que chegam a considerar a hipótese de me pedir para sair da minha casa para ir viver com os meus avós. Há quem não se sinta bem com a minha presença. Nem eu com o haxe e estou aqui...

Sim. Este testamento todo. Tudo isto.... por causa de um cão.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Nada e Ninguém

Tanta gente por tão menos tirou a sua própria vida. Eu resisto. Resisto a essa “tentação” uma e outra vez. Tudo na minha vida se reveste de um ciclo vicioso que não... não termina. Mudam os protagonistas mas a história repete-se: não me querem. Talvez seja defeito meu. Talvez. Defeitos todos temos. Mas não ser querida, ser afastada constantemente tem um preço. A vida não faz sentido quando estamos sós. Nenhum. Nada. O nada que me consome todos os dias. O nada que me diz que a minha presença é igual a si. Nada. O nada que me quer fazer escapar. De todos os que não me querem, o nada que quer que eu seja nada, já que nada sou para ninguém. Quando me puxam para fora daquilo que é meu, arrancam de mim o que me pertence, condicionam a minha vida... Eu percebo isso mesmo. Que nada sou e nada meu importa. Uma presença que incomoda e ocupa espaço. Persona non grata. Acho que isso a que chamam. Por entre as entrelinhas li uma história que não era a minha. Uma vida cheia de tudo e que agora não tem nada. Uma promessa dita por dizer, palavras mentirosas de quem não pretende cumprir. Palavras que magoam só de pensar, só de ver a mentira em que se tornaram. Uma dor como 1000 punhais que matam uma e outra vez tudo o que tenho. A vida que tenho. Oh não... não matam... Porque tudo o que há em mim... é nada. Onde houve um sorriso, uma lágrima cai. Uma tristeza que não se mede. Não se consegue nem sequer medir. Também... medir para quê? É preciso alguém se preocupar. Se ninguém sou, ninguém quer saber. Invisível aos olhos do mundo, os gritos são mudos a qualquer um. Uma invisibilidade amarga. Muito. Quando se é nada, tudo é relativo. Quando ninguém nos quer, nada importa. Quando o mundo vira, viramos também. Sentados à porta de casa, vendo tudo e todos na esperança de sermos notados, reconhecidos. Ninguém repara no nada. Ninguém vê o que invisível é. ninguém. Nem os gritos mudos de revolta acordam esses olhos dormentes. O nada quer alguém, mas ninguém o quer. Nada quer mudança, que tarda e já vem tarde. Ninguém quer saber. Nada grita em desespero. Ninguém ouve. Nada desaparece. Ninguém repara. O destino. Alguns dirão. O destino tem costas largas. Quem não é nada não tem direito a destino. Sobrevive. Enfrenta cada dia, um de cada vez. A voz muda, as lágrimas secas, a solidão. A velha companheira do nada. A solidão. 23 anos. Fiel amiga. Nos bons e maus momentos. Nunca abandona nada. O nada é amigo da solidão. Silêncio e escuridão. Quanto baste para a velha amiga se aproximar. Oferece um gélido ombro, mas qualquer ombro é melhor do que nenhum. Melhor do que nada. Não há vozes quentes para embalar, acalmar, amparar. Ouço uma triste canção que me chama. Um canto de sereia, um presente envenenado. Uma voz que me chama de volta ao mundo onde sou nada, para que nada possa continuar a ser, para que ninguém repare, ninguém queira saber. Um mundo onde já fui alguém, uma vida, uma alma. O mundo de alguém. Que me esqueceu num canto, partiu e não olhou para trás. Não olhou, não ouviu, não sentiu. Alguém que me perdeu, sem saber como nem onde. Que não sabe o que fazer. Que não quer saber o que fazer. A quem não digo o que fazer. Mas alguém o faz. E continuará. Até que além de um nada invisível, eu desapareça pouco a pouco. Que não me reste nada para além do nada. Para que o ciclo se complete e eu veja que sim, desde o início, foi isso que eu sempre fui. Nada e ninguém.

domingo, 2 de setembro de 2007

Uma ilha no oceano

Tive um acidente na quarta-feira. Triste. Uma frente novinha há 2 meses... completamente estragada... nem culpa tive, mas enfim... no meio disto, sinto-me desapoiada... o arranjo do carro vai ser caro, pelo que me disseram na renault, eu sem €€ e a minha família deste lado quer empurrar a despesa para o lado do meu pai. Não acho justo. É certo que o meu pai não é a pessoa mais correcta e que tem feito muita merda ultimamente, mas também sei que ele não está nas melhores condições para pagar um arranjo de mais de 1000€... é demasiado dinheiro para ele neste momento. E com os problemas que tem havido, não me sinto confortável se for ele a pagar tudo. E para mais, a porcaria do acidente não me sai da cabeça. Se tiver que pegar no meu carro agora, é uma tortura. Vêm-me as lágrimas só de olhar para ele, só de saber que não o posso conduzir. Ou melhor, posso, mas não devo. Ele andar, anda... mas com a frente naquele estado, todos os que se cruzam comigo olham como se eu fosse a única pessoa que teve um acidente na vida. Dói muito... e ainda por cima, as minhas aulas começam daqui a 15 dias... sem carro... vai ser bonito... Ando meio instável desde que tive o acidente. Pior é que não sinto compreensão de ninguém. Com o meu namorado, hoje senti-me mesmo muito mal. Não consigo entender porque é que quando ele vê que eu estou mal, não me conforta. Simplesmente não me entra na cabeça. Será que ele não entende? Não quer entender? Sinto-me sozinha, quando deveria sentir-me mais acompanhada. Uma ilha num oceano... mais uma vez...

sábado, 14 de julho de 2007

Desespero

Nem sei o que pensar nem o que quero. Em última análise, penso que gostaria verdadeiramente de desaparecer por uns tempos. Meses seguidos em que não consigo descansar na minha casa... Várias noites em que assisto a um escritório transformado em sala de fumo de drogas... Cansei-me de ser quem sou e de estar onde estou. O senhor Ricardo é o lorde e senhor da casa, o senhor que fica todo sensível quando não lhe dizemos um olá, mas a mesma besta que bate à minha porta como se a quisesse deitar a baixo e me manda fazer coisas sem saber se posso ou não. Eu deveria estar a estudar matemática. Perdi a vontade que tinha (e ainda era alguma). Cansei-me do senhor sensível, do filho da puta que faz o que quer e o que bem lhe apetece, que fuma drogas em casa porque “é melhor fazer dentro de casa do que fora”. E a minha mãe deixou de ser minha para passar a ser mãe dos meus manos. Há muito que não vejo nela a minha mãe. Pelo menos não aquela que conheci. Deixei de me sentir apoiada em tudo e naquela casa de falsidades não me apetece entrar mais.

Se eu pudesse sair de casa, nunca mais voltava. E neste momento estou-me pouco lixando para quem vai sofrer. Não quero saber de ninguém, já que ninguém quer saber de mim. Espero que cheguem à pequena conclusão de que eu existo, eu vivo também naquela casa, que não são só as vontadinhas daquele filho da puta e da parva da filhinha dele que contam. Eu tenho que entender tudo porque supostamente sou adulta, mas aquele cabrão faz o que quer e bem lhe apetece como uma criança grande. Entre fumar drogas, jogar no seu pc de 1700€ (sim, porque não há nenhum filho da puta que me convença que o trouxe por 250€ e dando o pc antigo à troca...), axar que eu persigo a filha ( agora bem pode dizer isso. Há 6 meses não era verdade)...

E a minha mãe??? Fui fazer um trabalho, telefonou-me e eu como tinha o telemóvel em silêncio não ouvi. Cheguei à meia noite. Deu-me um valente sermão (ela) e ele também me fodeu a cabeça por não ter atendido o telemóvel. Eu desconfiei que o único problema fosse o facto de eu ter o portátil dele (o meu não lê cds). Tive a confirmação quando fiz uma directa e só cheguei às 6 da manhã a casa. Onde estava a extrema preocupação da minha mãe???? Fugiu para parte incerta... Ando infeliz e ninguém consegue perceber isso. Será que disfarço assim tão bem???

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Graveyard Heart

O tempo passa devagar demais quando queremos que ele se apresse... A semana passada foi bem difícil de digerir. Começou mal e acabou com um exame de CG desastroso... Não, não acordei bem. Faz precisamente uma semana que a chama da minha bisavó se apagou. Fui de manhã ao cemitério depositar 4 rosas que tirei do jardim da minha avó. Tenho que fazer o luto de alguma forma, apesar de não saber bem como. Nunca nada disto me tinha acontecido. Tentei alhear-me o mais possível para sofrer menos, mas mesmo assim dou por mim a pensar no que aconteceu. E de cada vez que isso acontece, fico sem vontade para fazer o que quer que seja... Ando completamente desanimada. Completamente. E em casa continuo a ser o fantasma que todos sabem que existe, mas ninguém quer saber onde está ou o que faz. Ando a perder as estribeiras por muito pouca coisa. Reflexo do que se passou na semana anterior, penso eu... Ou talvez um reflexo de ser sempre a última a saber o que se passa, a última a quem se pede uma opinião ou cuja opinião não vale mais... Sim, estou em baixo. Ainda não bati no fundo porque ainda não o encontrei. mas devo estar lá perto. Dizem que já nascemos felizes. Eu também achava isso. Mas a minha felicidade e o meu sorriso parece que me foram arrancados por algum motivo que eu desconheço mesmo. Castigo? Talvez... Amargurei muito nestes últimos tempos. Deve ser o que a solidão provoca nas pessoas. Uma acidez nos sentimentos, uma tristeza no olhar, uma fuga de pensamento.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O dia em que olhei para o relógio

Olhei para o relógio quando ia a caminho do escritório do meu pai na segunda-feira. 9:20 era o que marcava. Nunca uma hora se tornou tão importante. Chegada ao escritório, a minha avó estava de volta das suas flores. Falámos da minha bisavó. Fiquei a saber que na madrugada anterior, ela tinha passado mal e ido para o hospital. Já lá tinha estado na semana passada com uma pneumonia alimentar. Devido à sua idade, todos já nos estávamos a mentalizar para o pior. Mas mentalizar não é estar preparado... Passaram 10 minutos depois de finalizar a conversa com a minha avó quando me vieram dizer que a minha bisavó tinha falecido. Fiquei a saber depois que a hora precisa da sua morte foi 9:20. A hora em que olhei para o relógio... Fiquei em choque. Não tive reacção por algum tempo. A minha avó estava de rastos, mas a minha tia... Todos estávamos tristes mas a minha tia era aquela que estava mais abatida. Quando o corpo chegou à capela e a minha avó lhe perguntou como é que a minha bisavó estava, a sua resposta foi simplesmente "Está linda...". Nunca tinha visto sequer alguém ficar tão triste. Todos sabíamos que isto ia acontecer. Com os seus 90 anos, ninguém poderia esperar, só por este facto, que ela vivesse muito mais. Mas nunca ninguém está preparado. Eu era a primeira a dizer que ela devia morrer. Ela não vivia. Era um vegetal, entravada numa cama... A minha avó abdicou da sua vida para cuidar da mãe, todas as horas, 7 dias por semana. Eu já me tinha distanciado o suficiente dela para não sofrer tanto. Afinal de contas, para mim era só o corpo dela que ali estava. Não era a minha bisavó, não... Ela abria os seus braços e esboçava um sorriso de orelha a orelha quando me via. Aquela senhora com o seu cabelo grisalho, óculos grandes, mantinha em cima das pernas e o seu croché... Aquela avó que me adorava... já tinha partido à 3 anos... Mas no funeral, ao ver a cova aberta, não consegui deixar de me lembrar da última vez que com ela falei, de quando ela me aconselhou a ter cuidado com os rapazes e eu lhe disse que namorava já há muito tempo. "Há uma estrelinha lá em cima a olhar por mim", disse-lhe. Tudo isso parece distante. Ela deixou de lutar no dia em que olhei para o relógio...

terça-feira, 12 de junho de 2007

parece que já não pertenço...

Eu sei que tudo é relativo. Depende da nossa visão das coisas. Eu sei que posso ser só eu (como acontece normalmente). O que eu considerava mais sagrado, o lar e a família, parece cada vez mais distante de tudo o que eu poderia imaginar. Ok, ok... eu sei que ultimamente tenho-me queixado mais do que o habitual... Mas incomoda-me um pouco o facto de ser ignorada em muitas coisas. Não é normal toda a gente estar de má cara quando falo, não é normal ignorarem-me quando falo... Simplesmente não faço parte... Neste momento estão a pôr umas fotos de família numa das paredes da casa. Não apareço lá. Eu sei que não é fácil tirarem-me fotografias, mas caramba... É triste. Ontem o dia também não me correu de feição. Acrescentei uma entrada de ar nova ao meu carro... Bati na garagem... Parvo, não é? Pior fica quando, no desespero e nervosismo de ter acabado de bater com o meu carro, a minha avó entra de rompante e pergunta "o que se passa contigo?". Visivelmente nervosa, nem lhe respondi. Mas quando ela solta um brilhante "Não me ponhas mais doente do que eu já estou! Porque bateste com o carro?" não me consegui conter... "Não vires tudo para ti! Quem bateu com o MEU carro fui eu! E porque achas que bati com o carro? Foi porque me apeteceu, não vês????" Todos andam centrados nos seus problemas. Todos são vítimas frágeis daquilo a que chamamos vida. Pena que cada um olhe para o seu umbigo e se esqueça de quem está próximo. Eu pouco me queixo. pelo menos ao pessoal aqui em casa. Para quê?? Para nem me ligarem? Para nem sequer ouvirem? Para fazer uma cara de "pois pois, mas isso não é nada"? Há muita coisa que me desgosta nesta casa. O único sítio a que devia chamar lar... Mas não... É apenas uma casa. Com pessoas, mobília, animais. Pouco ou nada me diz e cada vez menos me sinto confortável a entrar nas suas portas. Cada vez menos o meu lar para passar a ser a casa onde como e durmo à noite, onde tenho as minhas coisas, de manhã tomo o pequeno-almoço para depois ir para a escola. É o último sítio para onde penso ir quando estou mal. Para falar com paredes, falo com o vento. Vai dar ao mesmo. O meu namorado também vai para a Suiça. Mas não por agora. Talvez no fim do Verão.
A ver...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

diz k é uma espécie de CORTEJO ACADÉMICO

Pois é... Mal tinha começado e já nos estavam a dar os parabéns pela organização (eheh). Correu tudo pelo melhor, apesar de alguns contratempos de manhã e da constante sabotagem dos nossos planos para angariação de €€ ao longo do semestre. Muita cerveja pró ppl (for free :-D ) e muuuuuuuuiiiito cansaço depois, valeu a pena. Quando fui ter com o mê amori deitei-me e nem me lembro de ter adormecido :-S Mas ouvi dizer que no jantar até tivemos direito a discurso (obrigada Edu!!!). A união faz a força. Sempre fez e isso viu-se na quarta. Viva ECGM e viva a 2ª matrícula (pois é... não desfazendo, mas a gente RULA).