quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Proteger

Proteger. Palavra bonita, certo? Bonita quando aplicada com coração e empenho. Porque quem me quer "proteger" e depois nada faz, é um abuso e uma estupidez. Sentia-me mais protegida na casa do meu pai. Levava porradinha que chegue, mas ao menos... Lá está... Sabia com o que contava. Aqui, há quem queira, possa e mande sem autoridade nenhuma. Uns filhos da puta que pensam em grande. E alguém que era suposto me proteger. Que no cúmulo me diz que a culpa é minha, porque eu "reagi". Lá está. Temos que saber ser submissos. É isto. Quem diz o que lhe apetece e esquece logo a seguir não vale nada. Ou melhor, temos todos que o seguir, como uma manada de cordeiros perdidos.

E dizerem "ah e tal, ele sempre gostou de ti"... Sim pois... Nestas alturas é que se vê. É que se nota. Com ESTE tipo de atitudes, é assim que se vê. É assim que se sente. Já foi tempo de dizerem que a culpa dos males do mundo era minha. Quem o fazia era a minha querida madrasta. Todo e qualquer problema familiar, desde os problemas grandes aos problemas corriqueiros com o meu pai, eram culpa minha. Todos. Grandes costas que eu tenho. Deve ter sido por isso que os meus ombros alargaram tanto. É do peso de todas as acusações que levei nestes anos.

"Ele sente que não o gramas". Pudera. Depois de o ver anos a fio a rebaixar a minha mãe e agora por último a envolver-me no barulho, deve querer festinhas.

Desaparecer. É o pensamento que me ocorre agora vezes sem conta. Não sei como, quando nem para onde (SE houver um onde). Mas sim... Desaparecer. Quando morava no meu pai e este pensamento se instalava, só me ocorria um sítio para onde ir: para a minha mãe. Neste momento esse pensamento é demasiado assustador. O pensamento de "desaparecer" reveste-se de nada. Não tenho para onde ir. É um negro muito profundo. E não, não sei o que é. A vontade de desaparecer cresce a cada dia que passa.

"Não o provoques". Foi o que mais fiz nestes anos. Fiz de conta que nunca se passou nada. Mas todos temos um limite. E não, não gosto dele. Não depois do que já vi e ouvi. Não depois de ver que ele não é nada daquilo que disse que era e daquilo que era no início (muito no início). Quem se sujeita a isso é porque quer. Mas lá está, como não estou junto da "manada", sou a persona non grata. Adoro esta expressão. A sério. Especialmente porque me define tão bem. Encaixa na perfeição na minha vida.

Durante tanto tempo fiquei feliz por nunca ter visto o meu pai maltratar a minha mãe. Neste momento preferia que assim fosse. Levo pancada dos dois lados. Sou SEMPRE o cerne da questão, mas sempre como um problema. Cortar os pulsos a esta hora ficava-me caro. As tatuagens saíram-me do bolso xD. Mas tenho vontade de desistir. Sou eu a culpada, certo? Desisto... Desapareço...

domingo, 24 de janeiro de 2010

I'm baaaaaaaaaaaaaaaack

Um "comeback" necessário, não pelas melhores razões. Preciso desabafar senão rebento. E escrever é uma terapia fantástica. Melhor que arrancar cabelos e mandar cabeçadas à parede, não?

Ando inspirada de novo para escrever e soltar a minha modesta veia literária xD. É quando andamos na merda que a poesia se liberta. Precisamos de estar mesmo mal para libertar o que de bom temos em nós.

A minha vida deu dois passos à frente e um atrás. Ao menos o saldo nisto tudo é positivo. Mas como é óbvio, isso não é o bastante para estar satisfeita.

Escrevo a esta hora proibitiva porque, bem, primeiro não tenho sono. Segundo.... apetece-me escrever. Por causa de um cão. Ou melhor, uma cadela. Deixo a bicha dormir um sonito de beleza no tapete do meu quarto até euzinha ir dormir. Estou descansadinha a jogar. Fazer o quê se o vício chama xD.

E vem um troglodita dar ordens aos berros, do fundo da sala, para que eu liberte a cadela "imediatamente". Uau! Alguém andou a ver filmes a mais !!!! Deve ter sido o filme da tarde, do assalto ao banco, que lhe deu tal brilhante ideia... É que naquele tom parecia que eu tinha a bichita refém, contra sua vontade, e que tinha o esquadrão de intervenção à porta, prontinho para a arrombar e resgatar a pobre coitada.

Mas o que é isto? Qualquer motivo basta para "bater" em mim? Eu já vi esta história, já... E não era muito boa. Tinha todos os ingredientes de um blockbuster de Hollywood. E o final até foi feliz. Mas claro, quando vem a sequela, a coisa muda de figura. Normalmente são horríveis. Foi o caso. Está a ser o caso. Como me dizem algures, cagaram-me um ganda cagalhão na boca. Mas um mesmo grande. O problema é aqui neste preciso momento é: porquê?

Que raio de mal fiz eu para ter um castigo destes? Já não chegou uma vez? Duas são demais. E eu, no espaço de um mês, já estou a levar demais na cabeça. Desaparecer era uma boa solução. Deixar tudo para trás. Assim como assim, está mais do que visto que aqui pouco ou nada importo. Sou a trouble maker do sítio. Sim, porque quem calou até agora e se fartou é o cristo. Sim, porque os outros quando me envolvem em problemas, temos todos que perdoar. Deus é grande e exige perdão... Pena que eu já tenha perdoado (melhor dizendo, esquecido é um termo melhor...) de tudo. Desde rebaixar a minha mãe à minha frente, ter-me afastado de todo e qualquer convívio "familiar", mentiras escabrosas de todas as espécies, acusações fúteis, etc, etc.

Para além disto, neste momento passo por maluca. Agressiva, rebelde. Devem pensar que voltei aos teens. Colem os autocolantes todos. Estão à vossa vontade. Já sei o que me espera. Os contornos nem sempre foram os mesmos, mas é isso mesmo que se trata: estar só. Tive uma puta a fazê-lo em relação ao meu pai. Tenho tudo contra mim agora. Uau. A minha felicidade é total. Estou tão contente que escrevo aos pinchitos...

É impressionante como se passa de bestial a besta. Esta besta conseguiu-o ao fim de muito pouco tempo. Ainda é bestial para alguns, mas para o resto do mundo é uma besta. Para mim, há pelo menos 7 anos. Quem quis fechar os olhos fui eu. A muita coisa. Desde o material que ia parar lá a casa, as fúrias desmedidas, a ver a minha mãe em lágrimas mais de metade do ano... Até daquela vez que não tive dinheiro para almoçar porque determinada pessoa.... perdão..... besta, fez um escândalo com a minha mãe acerca de dinheiro, depois de ler e apagar a mensagem que mandei para o telemóvel dela.

Engraçado... ao menos isso o meu pai nunca fez. E tendo em conta a situação difícil que estou a passar agora em termos laborais, quem me estendia a mão sem pedir era ele de certeza. Tive de ser eu a dizer que não era preciso para ele se convencer e mesmo assim, se me cruzo com ele é capaz de me dar uma nota..... Deste lado só começam a falar comigo para ficarem de consciência tranquila para poderem dormir à noite. Outros, como os que vivem no sofá, é só para parecer bem. Para fingirem que estão interessados. Porque eu sou a maluca sem razão nenhuma, porque a mim nunca me fizeram mal nenhum e gostam muito de mim. Até se emocionam todos porque pronto, como sou maluquinha e ando agressiva, sentem-se muito mal. Tão mal que chegam a considerar a hipótese de me pedir para sair da minha casa para ir viver com os meus avós. Há quem não se sinta bem com a minha presença. Nem eu com o haxe e estou aqui...

Sim. Este testamento todo. Tudo isto.... por causa de um cão.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Nada e Ninguém

Tanta gente por tão menos tirou a sua própria vida. Eu resisto. Resisto a essa “tentação” uma e outra vez. Tudo na minha vida se reveste de um ciclo vicioso que não... não termina. Mudam os protagonistas mas a história repete-se: não me querem. Talvez seja defeito meu. Talvez. Defeitos todos temos. Mas não ser querida, ser afastada constantemente tem um preço. A vida não faz sentido quando estamos sós. Nenhum. Nada. O nada que me consome todos os dias. O nada que me diz que a minha presença é igual a si. Nada. O nada que me quer fazer escapar. De todos os que não me querem, o nada que quer que eu seja nada, já que nada sou para ninguém. Quando me puxam para fora daquilo que é meu, arrancam de mim o que me pertence, condicionam a minha vida... Eu percebo isso mesmo. Que nada sou e nada meu importa. Uma presença que incomoda e ocupa espaço. Persona non grata. Acho que isso a que chamam. Por entre as entrelinhas li uma história que não era a minha. Uma vida cheia de tudo e que agora não tem nada. Uma promessa dita por dizer, palavras mentirosas de quem não pretende cumprir. Palavras que magoam só de pensar, só de ver a mentira em que se tornaram. Uma dor como 1000 punhais que matam uma e outra vez tudo o que tenho. A vida que tenho. Oh não... não matam... Porque tudo o que há em mim... é nada. Onde houve um sorriso, uma lágrima cai. Uma tristeza que não se mede. Não se consegue nem sequer medir. Também... medir para quê? É preciso alguém se preocupar. Se ninguém sou, ninguém quer saber. Invisível aos olhos do mundo, os gritos são mudos a qualquer um. Uma invisibilidade amarga. Muito. Quando se é nada, tudo é relativo. Quando ninguém nos quer, nada importa. Quando o mundo vira, viramos também. Sentados à porta de casa, vendo tudo e todos na esperança de sermos notados, reconhecidos. Ninguém repara no nada. Ninguém vê o que invisível é. ninguém. Nem os gritos mudos de revolta acordam esses olhos dormentes. O nada quer alguém, mas ninguém o quer. Nada quer mudança, que tarda e já vem tarde. Ninguém quer saber. Nada grita em desespero. Ninguém ouve. Nada desaparece. Ninguém repara. O destino. Alguns dirão. O destino tem costas largas. Quem não é nada não tem direito a destino. Sobrevive. Enfrenta cada dia, um de cada vez. A voz muda, as lágrimas secas, a solidão. A velha companheira do nada. A solidão. 23 anos. Fiel amiga. Nos bons e maus momentos. Nunca abandona nada. O nada é amigo da solidão. Silêncio e escuridão. Quanto baste para a velha amiga se aproximar. Oferece um gélido ombro, mas qualquer ombro é melhor do que nenhum. Melhor do que nada. Não há vozes quentes para embalar, acalmar, amparar. Ouço uma triste canção que me chama. Um canto de sereia, um presente envenenado. Uma voz que me chama de volta ao mundo onde sou nada, para que nada possa continuar a ser, para que ninguém repare, ninguém queira saber. Um mundo onde já fui alguém, uma vida, uma alma. O mundo de alguém. Que me esqueceu num canto, partiu e não olhou para trás. Não olhou, não ouviu, não sentiu. Alguém que me perdeu, sem saber como nem onde. Que não sabe o que fazer. Que não quer saber o que fazer. A quem não digo o que fazer. Mas alguém o faz. E continuará. Até que além de um nada invisível, eu desapareça pouco a pouco. Que não me reste nada para além do nada. Para que o ciclo se complete e eu veja que sim, desde o início, foi isso que eu sempre fui. Nada e ninguém.